Há 4 meses e três dias cheguei a Moçambique. Tal como centenas de portugueses que chegam aqui diariamente, vinha para trabalhar. Mas não para trabalhar numa perspectiva economicista apenas, pensava eu, era que eu queria estar com as pessoas daqui, queria fazer voluntariado, queria integrar-me numa comunidade. E, pensava eu, seria assim possível conciliar o sonho de África (os lugares, as pessoas, as experiências), a luta por um mundo melhor e o que se chama de "vida normal".
A minha experiência de Hemisfério Sul até ao momento tinha sido sempre em contexto de projectos de cooperação para o desenvolvimento. Sempre "imiscuida" na vida das comunidades, no trabalhar em conjunto com as pessoas. E, pensava eu, que isso seria uma constante na vida em África.
Há 4 meses e três dias cheguei a Moçambique. Convivo diariamente, no trabalho, com portugueses e moçambicanos. Tenho boa relação com todos. Nos poucos momentos livres, ao fim-de-semana, junta-se a "família" - 12 portugueses de Vagos e arredores com os quais trabalho mais directamente. Vou à missa de manhã, por vezes canso-me das várias horas que ela demora, mas entretenho-me a tentar cantar os cânticos em dialecto ou a tentar perceber o seu significado. Observo as pessoas, a comunidade, tento imaginar as suas vidas.
Primeiro observar, escutar, estar, depois participar. Mas como é difícil participar. Não consigo entender se é pela minha perspectiva sobre a vida aqui ser diferente de outras vezes. Se é pela perspectiva que as pessoas têm sobre mim também ser diferente das outras vezes. Se, apesar de tentar que assim não seja, a postura ser diferente. A verdade é que a integração em outros meios, que não o laboral, é um desafio.
Por isso, costumo dizer que muitas vezes não me apercebo que estou noutro país.
Se alguém ler isto, não pense que é um post demasiado pessimista. Nada disso, claro que há coisas boas! Mas...
Depende da perspectiva!
20120619
20120422
Q.b.
Surpresas atrás de surpresas. Umas boas, outras más, algumas que nos chocam outras que nos entusiasmam. Imagino que o segredo esteja no q.b. de cada uma, no equilíbrio. Mas, como surpresas que são, não dá para controlar...
Chegam, e obrigam-nos a reajustar, redefinir, repensar e outros tantos "res"
Mas enquanto não encontramos o caminho do "re", ai... como é dificil manter a cabeça à tona!
Chegam, e obrigam-nos a reajustar, redefinir, repensar e outros tantos "res"
Mas enquanto não encontramos o caminho do "re", ai... como é dificil manter a cabeça à tona!
20111020
E afinal... já se passou outra vez...
Sim... já se passou outra vez muito tempo desde a última vez que escrevi. Agora escrevo e nem abri o blog para ver quando foi a última mensagem nem sobre o que falava...
Em todo este tempo percorri muitas milhas, muitas emoções, muitas funções, algumas alegrias e naturalmente algumas frustrações...
Como é natural, também aprendi. Sempre aprendemos com as nossas experiências! E como foram ricos em experiências estes meses de Agosto e Setembro! E posso dizer com muita certeza, que essas foram todas positivas! Obrigada a todos que fizeram parte delas...
Também acho que finalmente completei um ciclo... um ciclo de aprendizagem, de alguma loucura, aventura... Chega o momento de tomar decisões com firmeza, espero continuar a aprendizagem, a loucura e aventura, claro! Mas chegou aquele momento em que percebo ou penso que percebo por onde é o caminho. Há quem já o tenha definido aos 18 ou 20 anos... Eu já vou atrasada :)
Agora estou no tempo intermédio... limbo, será?! entre o antes e aquilo q percebi...
mmm e depois de toda esta reflexão, termino com uma algo meio parvo: acho que não tenho jeito nenhum para o limbo!
Em todo este tempo percorri muitas milhas, muitas emoções, muitas funções, algumas alegrias e naturalmente algumas frustrações...
Como é natural, também aprendi. Sempre aprendemos com as nossas experiências! E como foram ricos em experiências estes meses de Agosto e Setembro! E posso dizer com muita certeza, que essas foram todas positivas! Obrigada a todos que fizeram parte delas...
Também acho que finalmente completei um ciclo... um ciclo de aprendizagem, de alguma loucura, aventura... Chega o momento de tomar decisões com firmeza, espero continuar a aprendizagem, a loucura e aventura, claro! Mas chegou aquele momento em que percebo ou penso que percebo por onde é o caminho. Há quem já o tenha definido aos 18 ou 20 anos... Eu já vou atrasada :)
Agora estou no tempo intermédio... limbo, será?! entre o antes e aquilo q percebi...
mmm e depois de toda esta reflexão, termino com uma algo meio parvo: acho que não tenho jeito nenhum para o limbo!
20110628
20110627
Desafios [ou falta deles]
Há sempre um momento em que, apesar de não vibrarmos mais, o conforto é rei!
O conforto de ficar sobrepõe-se ao desconforto de arriscar.
O bebé quando está confortável, muitas vezes no colo dos pais, adormece. Mas o adulto, a adulta, não podem adormecer… sob pena de não conseguirem acordar desse sono que passa despercebido, porque é confortável…
Os desafios assustam, mas afastam o sono! É só não fugir deles…
O conforto de ficar sobrepõe-se ao desconforto de arriscar.
O bebé quando está confortável, muitas vezes no colo dos pais, adormece. Mas o adulto, a adulta, não podem adormecer… sob pena de não conseguirem acordar desse sono que passa despercebido, porque é confortável…
Os desafios assustam, mas afastam o sono! É só não fugir deles…
20110616
The looks
The looks, as aparências, o que a sociedade vê, o que as pessoas esperam/querem ver de nós.
Dizemos que não nos importamos, e por vezes não mesmo! Mas na maioria das vezes, as nossas escolhas são condicionadas por essa sociedade que espera que sejamos e ajamos de um certo modo. Uns mais conformados, outros mais irreverentes, mas [quase] todos acabamos por ser levados na onda...
Hoje, enquanto pensava sobre este facto e que inicialmente considerava totalmente mau... sim! porque também eu sou arrastada, por muito que lute contra! Hoje, conclui que quando q.b. não é totalmente mau... aliás não é novidade nenhuma... é mais uma aceitação própria. "No man is an island", portanto, se queremos viver em sociedade temos de alguma forma que nos deixar modelar por ela, desde que não percamos o nosso focus principal...
E esse já depende de cada um...
De qualquer forma... não consigo evitar o movimento involuntário dos meus lábios, a que a sociedade chama sorrir, enquanto imagino uma sociedade onde os looks assumem o 2º ou o 3º plano!
20110426
20110420
"Peço" emprestado...
Porque também me traduz... "peço emprestado", aspas porque ainda não o fiz... este texto...
"You are my friends, and the greatest love a person can have for his friends is to give is life for them."
daqui
"You are my friends, and the greatest love a person can have for his friends is to give is life for them."
A pessoa que disse isto, disse-o num jantar. Já em ambiente de fim de jantar, ambiente leve, de sobremesa, quando ainda se convive, mas já se sente o impulso de se levantarem e irem para a sala, ou buscar o café, ou à rua, os que vão fumar o seu cigarro e voltar ao convívio. A pessoa que disse isto, disse-o à 2000 anos. Se vivesse hoje, di-lo-ia de novo. Se vivesse hoje, talvez fosse rebelde da paz na Líbia, uma criança judia num colonato, um palestiniano sem comida para dar à família na faixa de gaza. Talvez fosse um emigrante mexicano num deserto do Texas, talvez fosse um camponês ou mineiro na América latina, ou um operário na china. Talvez fosse um angolano que vendesse carvão, talvez fosse um africano num bairro de lata de Espanha ou Portugal, promotor de reuniões de organização da comunidade. Talvez fosse um jovem europeu, cheio de estudos, mas que só tivesse ofertas de trabalho à experiência gratuitos. Talvez fosse uma mulher frágil, das ameaças do ex-marido que a enganou, vivendo com um ordenado pequeno e instável para ela e os filhos. Talvez fosse um jovem catequista a tentar mudar o vazio artificial da fé da sua paróquia preocupada com o status, talvez fosse um militante de um partido pequeno, numa terra dominada por um partido grande. Talvez fosse amigo de prostitutas, talvez:: in jornal diocesano 'Correio do Vouga'::
comesse com os sem abrigo, talvez fosse um empresário empreendedor à procura de
criar riqueza e distribuí-la por si e pelos trabalhadores a quem tenta dar emprego, talvez fosse um padre com ideias de uma Igreja muito humana, talvez fosse professor e sonhador, talvez fosse visto como subversivo, talvez fosse surfista, skater, talvezfosse amigo de toxicodependentes, talvez ligasse pouco a dinheiro e a burocracias, talvez dissesse o que dizia antes, talvez espalhasse amor por onde passava, talvez fosse morto ainda mais depressa pelos poderosos que usam o poder, não para os outros, mas para si mesmos. Talvez - não, disso tenho a certeza - desse de novo a vida pelos seus amigos, porque foi afinal a sua mensagem de amor que o matou. Que bom seria se ele vencesse a morte e ressuscitasse depois... era sinal que o Amor é maior que o poder, o controlo, o egoísmo, a chantagem, a opressão. Era sinal que o Amor, vence tudo e a vida é o que perdura depois!
daqui
20110419
20110418
Nó[s]
É quase paradoxal como um nó pode simbolizar a segurança e a força, mas também a confusão e a prisão! Hoje não há nada que me defina melhor! Os princípios em que acredito e que resultam em prioridades claras são a segurança e a força! Mas sinto os vários mundos em que me insiro todos num emaranhado tal, que é difícil desfazer o(s) nó(s)... Step by step...
20110414
Preciso lembrar um momento bom...
20110411
...
20110408
Águas Turbulentas... sempre ficam calmas!
As sereias não gostam de discussões
Todas as crianças receiam as cócegas e as discussões. As crianças-fadas, as crianças- feiticeiras, as princesinhas e, sobretudo, as pequenas sereias. Se as sereias não gostam mesmo nada de ouvir os pais a discutir, é porque a água transmite os sons cinco vezes mais depressa do que o ar e cinco vezes com mais força. É por isso que, em casa delas, uma cena doméstica, uma simples discussão, se transformam num pesadelo aquático. Na família da sereia Emma, as discussões começavam sempre assim: –– Repete o que acabas de dizer! –– Quem é que julgas que és? E upa, depois do rebentar de algumas bolhas, a água começava a agitar-se, a agitar- -se… e tínhamos tempestade! Quando o mar ficava assim revolto, Emma começava a ver tudo desfocado. Os pais apareciam-lhe deformados, horríveis, com o rosto distorcido por causa da turbulência das águas. Era feio, feio, feio. Então Emma sentia o coração gelar. Punha as mãos nos ouvidos e agradecia aos céus o facto de ter duas mãos e não duas barbatanas. Mas, mesmo tapando os ouvidos, continuava a ouvir: “Detesto-te, detesto-te, não quero voltar a ver-te.” Estas discussões eram verdadeiras catástrofes ecológicas. Quando se desencadeavam, os cardumes de peixinhos multicores fugiam em debandada para o outro extremo do mar, como se perseguidos por um tubarão. Os ouriços-do-mar imobilizavam-se, as anémonas expeliam em silêncio o seu veneno e os polvos lançavam compridos jactos de tinta negra. “Como é possível”, pensava Emma, “que pessoas adultas, com dois braços, uma cauda de sereia e um cérebro de sereia, gritem na água como se fossem verdadeiros bebés?” E pensava em todos os pais-sereias divorciados, que iam viver longe um do outro, um no mar Adriático, outro no Oceano Atlântico. E dizia para consigo: “A minha mãe trouxe-me no ventre porque amava o meu pai. Mas se nasci no amor deles, também posso desaparecer!” Era, é claro, um pouco excessivo, mas muito lógico na cabeça de uma pequena sereia. Aliás, quando ouvia os pais agredirem-se, tinha a impressão de que o seu coração se despedaçava como gelo quebrado. Porque as pequenas sereias não são peixes como os outros. São meninas de verdade, frágeis, com sentimentos e muita imaginação. O que poderia ela fazer? Tinha ouvido falar de uma outra sereia que trocara a cauda por um par de pernas. “Ter pernas ser-me-ia muito útil para fugir para terra, longe dos gritos dos adultos”, pensava. Para não morrer por causa de todas aquelas discussões, Emma afastava‑se para longe daquelas extensões de água cheias de turbulência, daqueles rostos distorcidos, daquelas tempestades aquáticas, e penetrava nas florestas de algas labirínticas. Ia tão longe quanto possível, descendo às profundezas, onde o silêncio é mais forte do que todos os gritos do mundo. E quando, à noite, se davam conta que ela tinha desaparecido, o pai, a mãe e todas as suas irmãs sereias iam procurá-la, longe, muito longe, nas águas doces, nas águas tépidas, abrindo, com as mãos, caminho por entre as algas, espreitando dentro das anémonas, batendo docemente à porta das conchas: –– Emma, estás aí? Com o coração apertado, pensavam que ela tinha desaparecido para sempre. Porque corria esse risco. Nas profundezas do mar, uma pequena sereia, mesmo experiente, pode muito bem perder o norte. E os pais perguntavam-se: e se ela foi lançada para terra? Ou engolida por um tubarão? E quando, por fim, a encontravam, curvada dentro da sua concha, com as mãos nos ouvidos, tomavam-na nos braços com muita doçura para a levarem para casa. Sentiam vergonha. E diziam-lhe: –– Desculpa, sabes, somos dois grandes patetas. Mas já fizemos as pazes!
Quanto mais crescia, mais a pequena sereia compreendia que a vida, o cansaço, as pequenas coisas do quotidiano, uma gota de água que cai continuamente em cima de um rochedo, enfim, pequenos nadas, podem também desencadear grandes discussões.
Quando se tornou adulta, sorria ao ouvi-los, porque sabia que não tinha nada mais a recear. Que o seu coração não ia congelar nem ficar como gelo desfeito. E, ao ouvi-los, dizia para consigo: “Daqui a pouco, estão a dizer-me que nunca mais voltarão a discutir. E eu vou fingir que acredito! Porque sei muito bem que é difícil viver-se na mesma água sem discussões. Mas também sei que o mundo não vai desabar por causa disso.”
do Projecto: Contadores de Histórias
20110405
20110325
20110321
Tomorrow!
"The Wall", o maior espetáculo de sempre concebido por uma banda rock, foi remontado, atualizado e politizado pelo seu criador, Roger Waters apresenta-o hoje e amanhã em Lisboa. Rui Tentugal (www.expresso.pt)
10:29 Segunda feira, 21 de Março de 2011
e mais uma vez... não pq... não consigo incorporar o vídeo... fica o link... vale a pena ver...
http://www.youtube.com/watch?v=smaQjFY2yrs&feature=fvwrel
E é já amanhã! :D
10:29 Segunda feira, 21 de Março de 2011
e mais uma vez... não pq... não consigo incorporar o vídeo... fica o link... vale a pena ver...
http://www.youtube.com/watch?v=smaQjFY2yrs&feature=fvwrel
E é já amanhã! :D
20110316
Procura

Ultimamente o momento entre decidir que vou escrever algo e abrir a janela de edição do blogger tem estragado os meus planos :)
Mas logo logo escrevo sobre a outra coisa que me estava a passar pela cabeça...
Agora não me apetece reflectir... nem apresentar ideias formadas...
Apetece-me dizer que continuo (ainda) à procura... a diferença é que agora SEI que vou encontrar... à procura de quê, perguntas?! ou não... mas eu respondo na mesma! À procura de mim no trilho certo...
Também sei que essa é uma procura constante... mas... uma luz... pleaaaaaaaaase Pai!!!
20110310
In "Mim"
20110307
Quebrar...

Ontem escutava um sábio orador a falar do conceito de liberdade... Falava da liberdade que se baseia nas nossas escolhas e opções... fez-me lembrar um outro sábio que um dia, no convés de um barco no meio de uma floresta distante, dizia que a liberdade era boa e que se todas as pessoas a entendessem verdadeiramente poderiamos viver em anarquia. Não o conceito que geralmente associamos à anarquia, mas uma anarquia de pessoas livres, que fazem opções segundo principios pessoais morais e éticos. Ou seja, numa realidade utópica, não seriam necessárias regras impostas, viver-se-ia na tal anarquia que iria funcionar, porque todos fariam as suas escolhas com liberdade, mas tendo em conta a liberdade dos outros...
Bem... e eu concordo com isto tudo... procuro viver segundo principios morais, éticos e acrescento ainda os religiosos, que na maioria das vezes coincidem com os primeiros.
Mas ontem quebrei algumas dessas "regras" pessoais. Quebrei pontualmente e com a certeza de que o seu caracter pontual não vai mudar... Mas... sim, não nego, soube bem! Fez-me sentir viva...
Depois, ao reflectir sobre o assunto, ao reflectir sobre as "minhas regras" que tinha quebrado, acabei por chegar à conclusão que, por vezes, temos que quebrar algumas coisas, mesmo as regras, para as reconstruirmos de novo, para as re-reflectirmos, para as refirmarmos e reconfirmarmos!
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